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Como tudo começou

O primeiro programa de rádio foi gravado na sala pastoral do prédio em construção da Igreja Adventista do 7º Dia, de Miraguaí, RS. Equipamentos: uma velha “eletrola” à pilha para rodar os discos e um pequeno gravador portátil. Acústica? Nenhuma! Microfone? Nem pensar! Era só “chegar mais perto” do gravador.

Amilton Luis de Menezes, 17 anos completados naquela semana, ligou o gravador e o velho toca-discos. Ouviu-se o hino-prefixo “Aqui Chegamos Pela Fé”. Diminuiu o volume da música e, meio apavorado, falou: “Todos somos jovens. Somos jovens em Cristo. Está no ar o programa A Voz da Mocidade, dos Jovens Adventistas do Sétimo Dia de Miraguaí.”

Em seguida Carlos e Euclides Menezes de Sá (primos de Amilton) apresentaram a primeira mensagem musical: “Aquietai-vos e sabei”. Algumas curiosidades, o tema central falando de Deus como Criador e a música final. Isso tudo foi ao ar no dia 4 de outubro de 1981. 16:30. Rádio Municipal de Tenente Portela. Era a primeira de uma série de centenas de programas transmitidos em 23 anos ininterrputos de “A Voz da Mocidade”.

A primeira carta pedindo cursos bíblicos chegou quase um mês depois do primeiro programa. Vieram mais de 40 mil até agora.

A sede do programa começou em um galinheiro desativado, passou pelo quarto de solteiro do apresentador e, numa sensacional aventura de fé e sacrifício, foi construída uma modesta sede própria (15 m2). Eram duas pequenas e apertadas salas. Em uma delas o “estúdio” de gravações equipado com aparelhos doados ou adquiridos com muito sacrifício. Em junho de 1992 foi inaugurada a ampliação do prédio (agora com quase 100 m2).

Em 1984 começava a surgir a Rede Maranatha de Programas em Rádio com o objetivo de ajudar outras pessoas que dispunham de espaço em emissoras de suas cidades, mas careciam de recursos técnicos ou humanos para produzir e apresentar um programa radiofônico.

Hoje, a Rede Maranatha de Comunicação produz outros programas que vão ao ar em emissoras de todos os Estados do Brasil e vários países do mundo. São cerca de 10 mil programas veiculados mensalmente.

O começo foi muito difícil. A emissora está localizada na vizinha cidade de Tenente Portela. São 18 quilômetros. A estrada não era asfaltada na época. O trajeto era feito de bicicleta, lambreta, a pé e “até” de automóvel… No domingo o único ônibus passava por Miraguaí às 9:30 da manhã. Às dez, Amilton já estava na rádio. Esperava então até às 16:30 para apresentar o programa ao vivo. Depois do programa, só carona… O último ônibus de volta já saíra às 14:30.

Seis meses depois do primeiro programa “A Voz da Mocidade” ganhou novo horário, 12:30 de todos os domingos. Já não eram mais 15 minutos. Os trinta minutos eram aproveitados criteriosamente. Facilitou muito! Dobrou a audiência e diminuíram também os problemas de transporte.

Por falar em problemas, o maior deles era o pagamento das irradiações. Primeiro a Golden Cross patrocinou. Depois alguns membros da igreja (Nelsindo Martins, Irmãos Calson e Altamiro Souza). Várias vezes o programa ficou ameaçado de parar por absoluta falta de recursos. Em uma das ocasiões o jovem Antônio Tossin, recém-casado e de poucos recursos financeiros, doou metade de seu patrimônio: uma das duas vacas de leite que ganhara do pai ao casar. Foi vendida para o pagamento das irradiações. Anélia Pires, uma velhinha simpática, hoje falecida, foi a responsável pela maior oferta de cada mês, durante um ano: vinte cruzeiros!

A semente de mostarda continua crescendo. Graças ao bondoso Deus e ajuda de vários pequenos e grandes colaboradores. Centenas e centenas de pessoas aceitaram a Jesus como Salvador pessoal e foram batizadas! Milhares têm o privilégio de ouvir as boas notícias do Reino através dos programas produzidos pela Rede Maranatha. No coração de cada pioneiro deste empreendimento evangelístico está a certeza: “Aqui chegamos pela fé. E, continuaremos, sendo esta a soberana vontade do Pai celestial”.

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A lambreta que ia longe

Logo que começamos o programa na Rádio Municipal, em Tenente Portela, nosso companheiro de equipe, Leonide Tossin, comprou uma velha lambreta. O veículo proporcionou grandes “aventuras” nas estradas cheias de buracos, pedras e poeira.

Na primeira vez que fomos até a rádio furam os dois pneus! (Ainda bem que foi na volta para casa…). Outra vez ela enguiçou e tivemos de abandona-la em uns matos, a margem da estrada, conseguir carona e, finalmente chegar a tempo na emissora para apresentação do programa. Muitas vezes, na volta para casa, encontrávamos alguns “pastores”, com carro do ano, dirigindo-se a emissora para a apresentação de seus programas. Batia no ombro do Leonide e dizia: “O mais importante não é o veículo e sim o conteúdo do programa”.

Alguns programas eram realizados em igrejas da região, durante a semana. E, lá íamos nós, de lambreta! Em pleno verão, saíamos cedo da tarde para “garantir” a chegada a tempo na programação da noite. Na primeira vez, quando voltávamos já tarde da noite, acabou o combustível cinco quilômetros antes de casa. A solução foi empurrar a lambreta nas subidas… Nas descidas, montávamos e… sempre em frente!!

Os anos passaram, Leonide vendeu a lambreta e comprou uma kombi. Hoje é um próspero fazendeiro em Não-Me-Toque, RS. A RMPR acabou ganhando uma moto, anos depois…

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Um desconto inacreditável

Aconteceram tantos milagres operados por Deus em nossa caminhada que quero compartilhar com você um pouco mais sobre as realizações desse Deus maravilhoso. Esse relato ocorreu em julho de 1982, quando propusemo-nos a realizar um curso de “Como Deixar de Fumar em 5 Dias” na cidade de Miraguaí, RS, promovido pelo programa radiofônico “A Voz da Mocidade”.

Era também nosso objetivo transmitir pela emissora cinco minutos diários de instruções, como “lembretes” àqueles que estavam deixando de fumar, e um auxílio aos ouvintes de outras cidades. Na sexta-feira acertamos, por telefone, com o diretor da Rádio Municipal de Tenente Portela, o horário da veiculação de 5 minutos diários (de segunda à sexta), às 11:30 da manhã.

No domingo, horário tradicional de nosso programa, anunciamos essa novidade. Já na segunda-feira, quando nos preparávamos para ir à Tenente Portela apresentar o programa, fomos informados pelo responsável pelas cobranças da rádio que o custo de cada minuto daquela programação especial da semana seria de dois mil cruzeiros. Ou seja, cinqüenta mil cruzeiros por uma semana de programas (25 minutos). Isto eqüivalia ao custo de dez meses de nosso programa pioneiro “A Voz da Mocidade”! Totalmente impossível diante de nossos parcos recursos.

Fomos apressados até a emissora. O diretor ainda não chegara. Aguardávamos com ansiedade, fora do prédio, orando ao Senhor. Tão logo chegou convidou-nos para uma reunião em sua sala. Apresentamos o problema, a impossibilidade do pagamento e a necessidade de veicular o programa logo mais, conforme prometido. Depois de ouvir atentamente e rabiscar alguma coisa em um papel falou: “Admiro o trabalho de vocês; não bebo e não fumo. Vou cobrar dois mil cruzeiros pela semana toda”. Estava dando um desconto de 48 mil cruzeiros!!!

Saímos da rádio eufóricos! Na primeira loja (de um membro da Igreja) contamos a bênção e ele, prontamente, assegurou: “Fique tranqüilo, eu patrocino os dois mil cruzeiros”. O que era um tremendo problema transformou-se, pelo poder de Deus, em uma bênção inesquecível!!!

Foi um desconto de cem por cento!

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Encontro incrível

Foi em 1983. Um dos presidiários da cidade de Três Passos, RS, escreveu ao programa “A Voz da Mocidade” pedindo que encontrássemos sua mãe…

Na cadeia ele ficou sabendo que era filho adotivo e tinha um grande desejo de conhecer sua progenitora. Apresentamos a carta no programa e fizemos um apelo para que a mãe, se porventura estivesse nos ouvindo, visitasse o moço.

Um de nossos ouvintes, ao escutar a carta-apelo ficou intrigado: “Isto não pode estar certo! O nome da mãe desse preso é o mesmo de minha mãe!” No dia seguinte foi ao presídio. Deu-se então um encontro deveras maravilhoso, surpreendente e emocionante: os dois eram irmãos gêmeos! Não sabiam da existência um do outro. A mãe, que residia em outro Estado, foi localizada e pôde “conhecer” seu outro filho, doado ainda bebê. Na época o presidiário gravou entrevista para o programa relatando esse fato inusitado.

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